DESINTERAÇÃO

About this site

Um blog como experiência de um Trabalho de Diplomação, hãn? Um blog? Uma experiência? Um trabalho de diplomação? Oi?
Ah, você não está entendendo nada, é? Dê aquela zapeada por aqui e tenha suas dúvidas esclarecidas! Ou não…

New wave: uma nova onda tipográfica

Post passado (aqui) foi visto um pouco das criações do movimento conhecido como designers de San Francisco, no início dos anos 80. Mas se olharmos as imagens logo abaixo é possível notar algumas semelhanças, não?

New waveAs experimentações da New wave (da esq. para dir.): Wolfgang Weingart e o cartaz para Das Schweizer Plakat (1984) | Capa para Wet Magazine, por April Greiman (1979). IMAGENS: REPRODUÇÃO.

Essas imagens são de dois grandes designers que fizeram parte do movimento anterior ao de San Francisco, aquele que abriu caminho para os trabalhos de designers como Michael Vanderbyl. A chamada New wave foi a incubadora dos experimentos com tipografia, uso das cores, texturas, formas geométricas numa mesclagem que transformou a comunicação visual.

Para entender a New wave, inicialmente temos que voltar - novamente - aos anos 60/Estilo Internacional (os dois já vistos e revistos diversas vezes aqui no DESINTERAÇÃO. Mas se você caiu de paraquedas agora aqui no blog, dá uma olhada aqui, no nosso Recapitula, e veja tudo o que já foi visto nesse modesto blog). A monotonia de criação que o design modernista se tornou (chato, sem uso de elementos lúdicos, inesperados ou desordenados), com sua tipografia neutra e objetiva, começou a ter seus primeiros sinais de mudança.

Uma nova geração de designers suíços iniciou a ampliação das possibilidades adotadas no Estilo Internacional. Era só o início de uma prática mais experimental do uso da tipografia.

Porém, nesse primeiro momento, não houve nenhuma ruptura com o design modernista. Os jovens designers responsáveis por essas experiências, Siegfried Odermatt (aqui), Rosmarie Tissi (aqui) e Steff Geissbuhler (aqui), não se rebelaram contra o Estilo Internacional, mas sim – como já foi dito – apenas aumentaram sua flexibilidade.

Primeiras mudançasA ampliação das regras com os jovens designers suíços (da esq. para dir.): Siegfried Odermatt e o anúncio para os cofres Union (1968) | O anúncio de Rosmarie Tissi para E. Lutz & Company (1964) | Steff Geissbuhler e sua capa de folheto para Geigy (1965). IMAGENS: REPRODUÇÃO.

Essas ampliações do Estilo Internacional foram apenas um início tímido… A real ruptura aconteceu quando profissionais e professores (que “praticavam” o Estilo Internacional) começaram a propor novas alternativas àquelas normas. Começaram a propor alternativas mais descontraídas e intuitivas aos designers. 

Um culpado para essa reviravolta? O designer Wolfgang Weingart!

Em 1968, Weingart era professor da Escola da Basileia (um dos principais centros de design que seguia ferreamente os princípios da Bauhaus, e os experimentos tipográficos de Jan Tschichold e Ernst Keller), mas em suas aulas sobre tipografia, trazia diversos questionamentos aos seus alunos sobre Estilo Internacional e o rumo que o design estava tomando, colocando aqueeela pulga atrás da orelha da galera!

Impulsionado por seus questionamentos, iniciou diversas experimentações tipográficas, abordando entre outros, as relações e limites de legibilidade dos tipos. A partir disso, Weingart obteve uma nova técnica para suas criações: a junção da impressão offset e o processo fotográfico. Essa nova possibilidade lhe permitiu intercalar e separar imagens e tipos, criando composições visuais muito mais complexas e diversificadas. Em seus trabalhos era recorrente o uso da técnica de colagem, usando a justaposição de texturas-imagens e tipografia-imagens figurativas. Também usava bastante os efeitos dos pontos reticulados ampliados e o efeito moiré como parte da composição.

Criações de Wolfgang WeingartWolfgang Weingart e a evolução de suas experimentações (da esq. para dir.): Diversas experiências tipográficas utilizando forma/espaço/letras (1971) | Cartaz para exposição (1977) usando sua técnica de colagem | Uso dos pontos reticulados ampliados como textura em sua criação para um cartaz de exposição (1982). IMAGENS: REPRODUÇÃO.

Com essas experimentações, ele obteve um design jovial, espontâneo, intuitivo, cheio de riquezas e efeitos visuais; a criação não tinha preocupação com clareza, legibilidade, linearidade ou hierarquia de informação. Weingart levou o design para o campo da expressão pessoal, definitivamente.

Bom, após amadurecer seu estilo e técnica, no ano de 1972, Wolfgang Weingart fez diversas palestras para escolas e cursos de design dos EUA. Aí que, nesse mesmo período, alguns outros designers ex-alunos de Weingart, também estavam fazendo suas experimentações aqui e ali pelos EUA… Pronto! Some a vinda de Wolfgang Weingart + os experimentos de seus ex-alunos (os designers Dan Freidman, April Greiman e Willi Kunz) e tenha como resultado a colisão necessária para a criação da nova onda tipográfica que rejeita o Estilo Internacional e procura expandir a comunicação tipográfica. Ou seja, a New wave(Década de 1970? Já vimos aqui, ó!)

A New wave causou, e muito, no design gráfico dos EUA. Inicialmente existiram várias reações negativas, pois muitos pregavam que o design não poderia ser uma forma de arte, ou que essa nova tendência colocava obstáculos na transmissão clara da mensagem… Enfim, foi considerado apenas um “modismo passageiro”.

Então, mas esse “modismo passageiro” não se tornou tão passageiro assim: essa nova tendência de design que Wolfgang Weingart e seus ex-alunos exploraram no fim dos anos 1960 e início dos 1970 foi totalmente dominante na produção de design da década de 80. Isso significaque foi extremamente utilizada a tipografia sem serifa e espacejada, linhas de diversas espessuras, uso de tipos na diagonal, mudanças de peso dentro das palavras e uso da tipografia em negativo; tudo isso misturado com o uso de formas curvas, ângulos e perspectiva diferenciados. Muuuito passageiro, né?!

REFERÊNCIAS
# História do Design Gráfico - Philip B. Meggs
# Design Gráfico: Uma História Concisa - Richard Hollis
# Abaixo as Regras: Design Gráfico e Pós-modernismo - Rick Poynor
# Comunicação gráfica & pós-modernidade - Flávio Vinicius Cauduro